domingo, 13 de dezembro de 2009

Dois verbos mudos.


Permaneci deitada olhando entre os espaços dos travesseiros e do meu rosto. Ali, numa só pose reparei todos eventuais festivais daquele corpo.
Havia um copo de café já frio em cima da mesinha de cabeceira e minhas roupas todas jogadas no chão, a lâmpada apagada e minhas retinas ainda acesas. Eu olhei pra aquela pessoa querendo dizer alguma coisa sobre a pontualidade das palavras e o sol que invadia as cortinas. Mas o eco entre a boca e as manhãs nascidas me fizeram fingir dormir mais um pouco. Eu lançava minha respiração na outra boca e a outra boca vinha na direção da minha. Absolutamente integrados e minha consciência pesando em cima desta nossa liberdade magra. Aí, eu levanto pra acender um cigarro e falar todas as possibilidades maciças de nossas eventuais frases e planos ditos e discursados na noite anterior, mas a voz branda cai por cima de mim e o jeito daquelas mãos denunciam a similaridade de outras pessoas. Um mantra incompleto reafirmado nos movimentos intranqüilos de bocas e línguas. As coisas recomeçam em si mesmas e as pernas tremem. Dois mundos com seus corpos de frente e a vontade expandindo o nosso acordo corporal. O vício confundindo até nossas crenças. Se é que eles ainda existem ou já existiram. Parecíamos não olhar para lugar nenhum, sem memórias ou argumentos sufocamos na vontade de apenas continuar.
Nos despimos outra vez de tudo, os olhos fechando e nossa cena dispensada.
As mechas vermelhas e bagunçadas do meu cabelo solto e as outras mãos em minhas costas. Nossos olhos sorriem e a cama inteira constatando que agora somos apenas dois verbos mudos.
 
Karimme.
 
~*~
FÉRIAS, finalmente. Mas só da universidade; todos os projetos paralelos continuam, e agora com mais força. Problemas, soluções, ciclos começando e outros já acabados.
É isso. O ano acabando logo apareço por aqui com as velhas, porém fortes prospecções. ^^
 
Beijos de FÊNIX.  

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Associação livre.

Entre o limiar do controle.
Entre o limiar da consciência.
Entre a sanidade e a sobriedade.
Entre o confuso e a inanição.
Entre a falta de equilíbrio e a falta de vontade.
Entre a falta de juízo.
Entre a falta de paixão.
Entre a falta de vergonha.
Entre a falta de pudor.
Entre as dúvidas e o destino.
Entre as sombras e a luz.
Entre as flores e o abstrato.
Entre os sonhos e a realidade.
Entre os versos e a melodia.
Entre a certeza e a insensatez.
Entre os gritos e o choro.
Entre as chamas e a penumbra.
Entre as lágrimas e a percepção.
Entre insights e devaneios.

Entre tudo que agora aflora, um motivo em si me devora. Por um momento, os portões estiveram abertos: associação livre. (Sim,a psicodelia deve ter sido muito forte. E eu ainda não consigo crer nisso.)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Catártica.



Ela precisa de um pouco mais de vida. Isso não se refere no âmbito social. Vida dentro dela. De saber que ela é de carne e osso, de saber que um dia ela pode se quebrar. De uma vez por todas. Olha só que ponto desesperador ela chegou... Porque ela sabe que nada é pior do que essa falta de tudo. Essa apatia infinita. Dói mais não ter afins, poréns, entretantos e todavias do que sofrer uma dor de espera, amor, perda ou saudade. Essa impotência detona com a auto-suficiência dela, que parece ter criado vida própria. Já não responde aos seus comandos quando diz que não quer se afastar de alguma coisa. Ela se programou num modo automático terrível. E é um modo de extermínio. Por bem ou por mal, pois ela sempre pensou no pós e sempre é o “mal” que sobra é dela. É para ela.

 

Ela enfiou-se num cabresto apertado e está difícil-se soltar de tamanhas convicções, escolhas e teses criadas. Tal estágio deprimente não foi formado do dia para a noite... Houve toda uma estrutura de sofrimento e reflexão. Noites acordadas e muito choro engasgado. Muita patifaria e muito ódio externado e também reprimido. Ela precisa (re) viver por dentro, mas ainda não sabe como... Sem metáforas melosas, sem frases melodramáticas, sem amores de plástico, sem vontades pré-moldadas... Ela quer a sua consciência, o seu auto-controle, o seu eu. Cansou dessa vida, desses problemas, desses vícios, as tais "necessidades cruciais do ser". Se ela quer mudar, ela pode mudar... Porque ela cava a própria cova, ela puxa o próprio tapete, mas também pode escolher o trilho que vai seguir e pode escolher a que mãos vai segurar... Ou se não terá mãos de apoio e terá que caminhar sozinha. Ela pode, a partir de agora, ser tudo ou nada. E tudo é uma questão de escolha dela... Não existem fabulosas mudanças instantâneas.

 

Mais uma vez ela errou na vida, pelo que esperavam dela.
Ela me disse que isso tá doendo muito. E que ela nunca aprende...

Mas no meio de uma lágrima, me disse também que vai se reerguer. Sem qualquer vergonha e de cabeça erguida.
Deixa o tempo passar.



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Perspectivas do Self


Falar sobre as formas subjetivas de como a nossa vaidade molda o nosso discurso é foda. Mais foda ainda é entender essa relação a partir da percepção de uma outra pessoa. Contra um comportamento defensivo que não se baseia em lógica, mas sim em sentimento, não há nenhum argumento que possa confirmar qualquer tipo de questão existencial. É necessário mais que uma admiração, mais que uma certa 'idolatria'. É preciso que haja um pouquinho de confiança na sabedoria alheia para nos permitirmos entender certos vícios esdrúxulos no nosso comportamento e no dos outros.


Um estudo mais aprofundado sobre a Psicologia (além daquele que a academia pode proporcionar) me fez criar um policiamento quanto a atuação do meu self em relação aos meus discursos e os de outrem: quanto mais eu controlo o meu discurso, mais eu deixo de ser atingida pelas "catarses" externas. A percepção da arrogância e a prepotência alheia nada mais são o reflexo do modo como a maturidade (ou imaturidade psíquica) está estabelecida no self de cada um.


Para fugir das imposições forçadas, pensei em começar a traçar argumentos usando a mais pura lógica, e baseada nessa idéia imaginei como seria a raiz lógica de um problema já tão vigente na nossa sociedade atual: o desrespeito.


A primeira premissa que eu defendo com unhas e dentes é que a de que é impossível uma pessoa atingir diretamente o teu self, assim como é impossível uma pessoa sobrepor uma crença tua sem o teu consentimento. Existe uma área inatingível na nossa consciência; uma parte na qual não chega nenhum desrespeito, ofensa ou mágoa a não ser que permitamos. O sentimento ruim que temos perante uma 'cortada' pode até atingir o self, mas este define se aquilo se torna ou não uma falta de respeito, uma ofensa. Claro, dependendo da nossa perspectiva sobre aquilo.


Ainda que alguém/algo queira magoar deliberadamente uma outra pessoa, ela sempre terá a escolha de aceitar ou não a ofensa. Claro que essa escolha acontece muito rapidamente no nível do inconsciente, apenas uma mente muito bem amadurecida psiquicamente pode se desviar diretamente dessa questão e ignorar a ação que o self alheio move para transformar qualquer ataque a si em um crime. Isso pra mim já é lei: não me incomodar com o que se incomoda comigo.


Aiai, é porisso que eu sou fã do Schoppenhauer... “Não são as coisas que nos perturbam, e sim a nossa interpretação das coisas.”


Portanto, cuidado com as interpretações. =)

Beijos, karimme.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Identificação.

Nas minhas 'andanças virtuais' vejam só o que encontro no blog da minha querida Loló (http://lindolagodoamor.blogspot.com/):
" Tô toda deprimida, tendo que me concentrar muito pra ficar bem. E é aí que de repente eu me dou conta do quanto sou querida por algumas pessoas. As outras? Elas simplesmente não existem pra mim!"
IDENTIFICAÇÃO TOTAL! *-*
(como adivinhaste o meu pensamento hein moça? rsrs..)
:)

Sonho parece verdade...

...quando a gente esquece de acordar. *-*

(Show do Teatro Mágico em Belém - 15/11/09)

Tudo bem, sou MUITO suspeita pra falar... Mas quem conhece a arte e a boa música certamente sabe do que estou falando. Se há uma palavra que consegue descrever perfeitamente um show deles é: Espetáculo. O que chama atenção das pessoas logo de cara é que eles não são somente um grupo musical. É arte, música, teatro, literatura, tudo numa coisa só. Há toda uma questão ativista com o grupo: a de que o conhecimento deve ser livre, sobre a ecologia, preocupações com o planeta, etc. O mais foda é que eles fazem belíssimas músicas mas não vivem de jabá; não tocam nas rádios nem na TV. Mas o show estava lotado! Como? Através de trabalhos como divulgação massificada, reuniões, ensaios e vontade, MUITA VONTADE! - tive orgulho de estar presente em todas as etapas desse processo. Eles são pessoas incríveis dentro e fora do palco. Os dias anteriores, no qual a divulgação foi intensificada, o dia do show (lógico) e outros momentos com eles - foram os dias mais maravilhosos que eu tive. *___*

Poderiar passar uma hora (um mês ou talvez um ano...) falando do show, mas tentei ser breve.




Anitelli (en)cantando no Hangar.



O mérito e o monstro: um dos pontos altos do show. *-*


Will, tocando na alfaia que fizemos questão de buscar e com o cordão que SERIA meu, rsrsrs!


Galdino (ficou com a minha cartola...¬¬) ^^


Gabi Veiga (ainda mais lindíssima pessoalmente) e Rober Tosta.



O cidadão de papelão (Rober Tosta).


Para cantarmos em uníssono!



Desculpa aí, mais de 8.000 pessoas LOTANDO a área externa do Hangar. \o/